Procedimento retarda ou elimina a progressão do ceratocone

O uso do Fast Cross Linking pode tirar da fila de transplantes de córneas pacientes que possuem ceratocone. A nova modalidade de cross linking tem por objetivo aumentar a resistência e estabilidade da córnea, retardando ou eliminando a progressão da doença, como informa a oftalmologista do Instituto de Olhos do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, Fabíola Roque. 
“Esse procedimento é uma alternativa terapêutica para estabilizar a doença. Ele realiza o tratamento utilizando menos tempo do que o protocolo padrão, que é de uma hora. Com o Fast Cross Linking conseguimos fazer o procedimento em torno de 40 minutos”, declarou Fabíola. 
O ceratocone é uma doença degenerativa da córnea, que gera o afinamento central ou paracentral, geralmente inferior, deixando a córnea com formato de cone. A doença acomete principalmente crianças, adolescentes e jovens adultos. Entre os sintomas estão dor de cabeça, desconforto visual, fotofobia, baixa acuidade visual e troca frequente das lentes dos óculos. 
“O ceratocone afeta a qualidade da visão. A pessoa começa a enxergar cada vez pior, principalmente às custas de astigmatismo e miopia. É uma doença que normalmente surge na fase de aprendizado da criança e nos adultos no período de inserção no mercado de trabalho e ingresso na faculdade”, complementou a oftalmologista.
Em Sinop (MT), a médica conta que os seis pacientes tratados até o momento com o Fast Cross Linking tiveram uma melhora significativa na evolução da doença, inclusive até com regressão. 
“Atualmente em Sinop temos a possibilidade de tirar o paciente da fila de transplante de córnea. Realizamos também o implante de anel intraestromal, que também faz parte do arsenal terapêutico do ceratocone e trabalhamos ainda com a lente rígida. Todos esses tratamentos, exceto o transplante, podem ser feitos em Sinop”, ressaltou Fabíola.
O procedimento é realizado no centro cirúrgico, com o paciente acordado e consiste na aplicação de um colírio a base de riboflavina (vitamina B2), a qual é ativada por meio de um feixe especial de luz ultravioleta, determinando a remodelação e união das fibras de colágeno, o que resulta no aumento da resistência estrutural da córnea. 
“A associação da riboflavina com os raios ultravioletas faz com que a córnea fique mais rígida, o que impede o avanço da doença e pode gerar ainda sua regressão. Após o procedimento, o paciente deve ficar cerca de uma semana com a sensação de visão embaçada, mas poderá retomar suas atividades normalmente após esse período”, explicou a médica. 
A incidência da doença está ligada a questões genéticas e atinge o público jovem porque nesta faixa etária o colágeno da córnea ainda está se remodelando. 
“Até pouco tempo sabíamos que essa doença se estabilizava aos 30 anos naturalmente, porém atualmente novos estudos demonstram que aos 40 anos de idade ela continua evoluindo no paciente, isso porque o colágeno da córnea só amadurece nesse período, portanto enquanto ele é jovem pode se remodelar”, destacou Fabíola.
A forte incidência solar na região também chama a atenção dos médicos para a presença da ceratocone. 
“A região tem número elevado da doença em comparação com outras regiões do país, como o Sul, por exemplo. Se tem a impressão de que há uma ligação entre a forte incidência solar e o surgimento de casos de ceratocone, porém não existe nada que comprove essa hipótese, nenhum estudo com relação a isso foi realizado ainda”, observou a oftalmologista. 
Por meio da topografia da córnea é possível realizar o diagnóstico precoce do ceratocone, antes mesmo do paciente começar a sentir os sintomas da sua presença, fato que otimiza o tratamento contra a evolução da doença. 

 

0000-00-00 00:00:00 | Suzana Machado/BW Comunica