Câncer na criança e no adolescente – A importância do diagnóstico precoce

Por Dra. Anna Letícia Yanai – Pediatra Hospital e Maternidade Dois Pinheiros


O câncer infantojuvenil apresenta-se na grande maioria das vezes com sintomas e sinais inespecíficos, similares aos de doenças benignas e comuns da infância, dificultando a suspeição e o diagnóstico.
Como o estado geral de saúde da criança está quase sempre preservado, faz-se necessário que o pediatra considere a possibilidade da doença e a inclua na lista de prováveis diagnósticos, para que a investigue.
O médico pediatra tem papel fundamental neste momento, porque é o primeiro profissional a entrar em contato com a família e o paciente. Para isso, precisa conhecer os sinais e sintomas para suspeitar da doença.
O diagnóstico precoce, ou seja, a detecção do câncer em estágios mais localizados reduz as complicações agudas e tardias do tratamento e aumenta consideravelmente a porcentagem de cura. 
No Brasil, os registros de câncer nos indicam, infelizmente, que muitas crianças e adolescentes chegam aos centros de tratamento em estágios avançados da doença.
Com o intuito de aumentar os índices de cura, criam-se ações para orientar os profissionais de saúde sobre os sinais e sintomas da doença, para possibilitar o diagnóstico precoce. 
Em 23 de novembro comemoramos o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil (lei n0 11.650 de 4/04/2008). Neste dia, são executadas ações educativas como debates e outros eventos sobre as políticas públicas de atenção às crianças e adolescentes com câncer. Como para o câncer de mama existe o Outubro Rosa, para o Câncer Infantojuvenil existe o Novembro Dourado, representado pelo laço de fita dourado.
Há 200 mil casos novos de câncer pediátrico por ano em todo o mundo. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são 9 mil casos novos anualmente, sendo a primeira causa de morte entre as crianças e adolescentes de 01 a 19 anos para todas as regiões do país.
Sintomas 
Nas leucemias, pela invasão da medula óssea por células anormais, a criança se torna mais sujeita a infecções, pode ficar pálida, ter sangramentos e sentir dores ósseas. No retinoblastoma, um sinal importante é o chamado "reflexo do olho do gato", embranquecimento da pupila quando exposta à luz. Pode se apresentar, também, através de fotofobia (sensibilidade exagerada à luz) ou estrabismo (olhar vesgo). Geralmente, acomete crianças antes dos 3 anos. Atualmente, a pesquisa desse reflexo pode ser feita desde a fase de recém-nascido. Aumento do volume ou surgimento de massa no abdômen pode ser sintoma de tumor de Wilms (que afeta os rins) ou neuroblastoma. Tumores sólidos podem se manifestar pela formação de massa, visível ou não, e causar dor nos membros. Esse sintoma é frequente, por exemplo, no osteossarcoma (tumor no osso em crescimento), mais comum em adolescentes. Tumor de sistema nervoso central tem como sintomas dores de cabeça, vômitos, alterações motoras, alterações de comportamento e paralisia de nervos.
Ao identificar sinais e sintomas, o médico deve valorizá-los e proceder à investigação. A criança sempre deve ser encaminhar para diagnóstico e tratamento em centro de oncologia pediátrica. Há diferença substancial na sobrevida de crianças participantes de ensaios terapêuticos em grupos cooperativos e crianças tratadas em hospitais gerais.
O tratamento deve ser definido a partir do estadiamento da doença e planejado individualmente para cada criança, sempre seguindo protocolos cooperativos coordenados pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE). Para estes protocolos, os resultados obtidos têm sido semelhantes aos encontrados em países desenvolvidos, chegando a 80% de sobrevida.
Precisamos estar atentos para os sinais e sintomas desta doença, realizando orientação das equipes de saúde e também de pais e professores para que procurem atendimento medico sempre que suspeitarem de neoplasia, para que nossas crianças possam cada vez mais, receber o melhor tratamento e maior sobrevida. 

 

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